Eu preciso te contar dos que estiveram aqui antes de você. Antes de
qualquer coisa. Eu preciso falar sobre as cicatrizes, os tombos e os
cacos que ainda tentam se juntar. Você está chegando agora, é novo no
jogo, ainda não sabe os atalhos para fugir do game over. Tô aqui
para te dar as dicas, porque eu quero mesmo que você vença as minhas
batalhas. Porque quero que você chegue, abra a porta e se sinta em casa.
De visitas, tô cheia. Agora, eu quero alguém para ficar.
Já aviso que sou difícil. Cheia de cascas e camadas protetoras. Com o
passar dos anos, construí meia dúzia de muros à minha volta. Mas não
desista de mim. Dê voltas e me encontre. Entre os tijolos, escondem-se
portas e janelas abertas para você entrar. Por trás da autossuficiência
aparente, tem alguém disposta a amar de novo e de novo e de novo, até,
finalmente, acertar. E o que eu mais quero é acertar com você.
Me ensina também. Sei que por trás desse sorriso de quem não leva a
vida a sério tem as suas próprias decepções. Me fala daquela última
garota que quebrou seu coração. Me mostra suas feridas, me diz aonde não
devo errar. Eu juro – eu juro – que a última coisa que eu vou querer é
te magoar. (Mas talvez, sem querer, eu te magoe).
Saiba que eu também já errei. Algumas vezes partiram meu coração,
outras, fui eu que quebrei corações alheios. Eu não sou perfeita. E eu
vou falhar. Vou gritar, dizer para você ir embora, falar que nunca
deveria ter chegado. Talvez, a gente supere a nossa falta de jeito para o
amor e consiga aprender a amar um com o outro. Talvez, a gente acabe
com o mesmo fim de todas as minhas outras histórias mal acabadas, cheias
de vazios e sem sorrisos.
Mas eu queria dizer, enquanto você ainda está na porta, que eu estou
disposta. Eu tô largando tudo para tentar com você: meus medos, meus
segredos, meus receios. Tô tirando a armadura porque quem foge do amor o
tempo todo só tenta se enganar. No fim, eu só tô dizendo que amar você é
quase como pular do precipício. Mas, por você, eu pulo. Eu pulo.
Depois dos Quinze.
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